sexta-feira, 27 de março de 2026

O Farol de Castelhanos e o Barco que Não Parte

Dizem que o GPS foi a maior invenção do século, mas quem conhece o Porto — o nosso Porto Amazonas — sabe que a tecnologia é um detalhe irrelevante diante da geografia do afeto. No Natal, as coordenadas mudam. A bússola de quem partiu em busca de uma cidade maior, de um amor mais complexo ou de um contracheque mais gordo, subitamente sofre uma interferência magnética. É o chamado das raízes, que em Porto Amazonas tem cheiro de rio e som de conversa de calçada.
A cidade, nesta época, veste-se de luzes com o entusiasmo de quem sabe que o figurino é importante, mas o elenco é o que vale. A praça brilha em multicolorido, um arco-íris elétrico que parece tentar convencer o verão de que o inverno do Papai Noel é apenas um erro de marketing. E no centro de tudo, a Prefeitura em forma de barco. É a única embarcação do mundo que não navega, mas que consegue transportar todo mundo para o mesmo destino: o agora.
Mas a verdadeira Estrela de Belém da nossa paróquia resolveu se esconder — ou se destacar — lá pros lados de Castelhanos de Fora. No sítio do finado "Seu" Getúlio e da forte Dona Mélia, no meio do breu do campo, surge uma casinha que decidiu peitar a escuridão. Fachada emoldurada de branco, uma árvore de luzes coloridas na frente e pronto: está feita a sinalização para os Reis Magos (que, se tiverem bom senso, vêm de carro pela estrada de chão). Aquela luz no fim do túnel verde é o lembrete de que, não importa o quão longe você vá, sempre haverá uma lâmpada acesa esperando o seu cansaço.
No centro, o ritual é o de sempre. Pessoas caminham devagar, exercendo o direito sagrado de não chegar a lugar nenhum. É o "flâneur" portamazonense. Cumprimentam-se todos: o vizinho de décadas, o primo que voltou de Curitiba com sotaque de quem mora em Londres, e o desconhecido que, por estar ali, deixa de ser desconhecido em três frases.
"Bonita a luz, né?" "Pois é. E o calor?" "Nem me fale. Mas amanhã tem que acordar cedo."
Essa é a liturgia local. A rua se enche, o povo se olha, a vida se reconhece. E então, como se houvesse um recolhimento obrigatório decretado pelo bom senso e pelo despertador, o centro vai esvaziando. Porque o Natal no Porto não é uma balada frenética; é um suspiro. É o momento de relaxar a musculatura da alma antes que a rotina nos chame para o trabalho na manhã seguinte.
Fica o silêncio, o barco-prefeitura ancorado no asfalto e, lá longe, em Castelhanos, aquela casinha piscando. O Natal, no fim das contas, é isso: saber que, por mais que a gente mude de cidade, de vida ou de sonho, sempre existe um Porto onde a gente pode ancorar a saudade e tomar um ar fresco antes de seguir viagem.


 

 O Milagre Molhado

O paranaense, em geral, tem uma relação de vizinho fofoqueiro com o clima. Mas em Porto Amazonas, a coisa ganha contornos de drama grego. Se passa de três dias sem cair um pingo, o assunto na padaria já não é mais o preço do pão, mas a "secura medonha".
E já faziam duas, talvez três semanas. Para os padrões locais, isso é quase um Saara com sotaque.
A paisagem começou a ganhar aquele tom de fotografia antiga, meio sépia, meio esquecida. As árvores na beira da estrada rural já não eram verdes; eram de um bege cansaço, sufocadas por aquela poeira fininha que levanta ao menor passo de um vira-lata ou de uma Rural Willys. A horta, coitada, apresentava um quadro depressivo: as alfaces curvas, as couves implorando por um armistício, e as flores do jardim com aquela sede silenciosa de quem já aceitou o destino.
O céu de Porto Amazonas brincava de esconde-esconde. Prometia, armava o cenário, escurecia ali pro lado da Lapa, mas nada. O povo olhava para cima com o pescoço torto, esperando o veredito.
Até que hoje, finalmente, a natureza resolveu abrir o caixa.
Começou com aquele cheiro. Você sabe do que estou falando. O "cheiro de terra molhada", que é, possivelmente, o melhor perfume já inventado, superando qualquer grife francesa. É o aroma do alívio.
Depois veio o som. Primeiro, uns pingos isolados, testando o terreno como quem bate à porta antes de entrar. E então, o rufar de tambores no telhado de zinco. Não há música de câmara que supere o ritmo de uma goteira bem afinada caindo lá fora, marcando o tempo de uma tarde que não tem pressa nenhuma de passar.
O ar, que antes parecia um lençol áspero, de repente refrescou. Ficou leve, lavou a alma das árvores e devolveu o brilho para as folhas. A poeira, derrotada, virou barro e sossegou no chão.
Dizem que a felicidade é um estado de espírito. Discordo. Em Porto Amazonas, depois de vinte dias de sol castigante, a felicidade é simplesmente o barulho da água batendo na calha enquanto a gente decide se faz um chimarrão ou se apenas fica ali, parado, ouvindo o mundo ser lavado. 

 

O Preço da Paisagem e a Moeda do Tempo


Era uma dessas noites sem ar, carregadas de pólvora invisível, onde as ideias dançavam um minueto irrequieto sobre a mesa da minha cozinha. Lembro-me da jovem, dona de um par de olhos castanhos que pareciam guardar, não sei, talvez a promessa ou a censura de gerações. Ela tinha aquela beleza firme, de quem sabe o valor exato de cada coisa no mercado, inclusive o do tempo.

Discutíamos, é claro. Sobre o quê? Pouco importa agora. Assuntos de jovens e de velhos, sobre o que fazer com a vida, como medir a vida, se em milhas, em notas de banco ou em suspiros. Eu, com a minha bagagem invisível de tantos anos de mundo, e ela, com a sua conta bancária de certezas.

Foi então que o assunto dela se quebrou numa flecha limpa e certeira. E disse, com algo de ironia e com uma ponta de melancolia por mim: “Eu entendo que é frustrante alguém viver por quinze anos em terras estrangeiras e não conseguir acumular nenhum dinheiro...”

A frase me atingiu, não como ofensa, mas como um sino tocado na hora certa, no lugar certo. Era a lógica da Terra Firme, a aritmética da pátria, que falava através dela. E eu, o vagabundo de alma, o mercador de paisagens, tive de dar de ombros e sorrir. Porque era verdade, na folha de balanço deles: $Renda\ bruta\ =\ zero$. $Patrimônio\ adquirido\ =\ uma\ mochila\ velha$.

Mas como explicar-lhe a jovem, que o meu mapa financeiro, com o correr dos meses e o mudar dos sotaques, havia se rasgado e dado lugar a um pergaminho onde as cifras eram outras? Não se tratava mais da ânsia de acumular, mas de uma fome mais antiga e primitiva: a fome de aprender, conhecer, experimentar, cheirar.

Ah, se ela soubesse! Se pudesse ter cheirado o coentro forte e o cominho exótico nas travessas de barro da América Central, onde a vida é dura e o sol é impiedoso, mas o riso é vasto. Como quantificar a cor daquelas águas do Caribe, que parecem ter roubado o azul do céu e o verde de todas as esmeraldas do mundo? Mergulhei, sim. Mergulhei nas Antilhas, uma a uma, como quem folheia um livro de contos.

Conheci as gentes, não como turistas de passagem, mas como espectros que pousam e escutam. Vi os sorrisos e os risos, o clarão da alegria que é sempre breve, e as frustrações, o calvário de cada dia que é sempre longo. E, mais importante, ousei compartilhar. Dormi em redes rangentes, em esteiras cheirando a sal, e, em noites de lua cheia, simplesmente nas areias de uma praia deserta, com o mar ninando meu sono como uma velha ama-de-leite.

O dinheiro, minha jovem, compra o colchão, mas não compra o sono embalado pelo mar. Compra a passagem, mas não compra a alma da cidade.

Quinze anos! Fui um milionário sem moedas, um rico sem cofres. Vivi de uma riqueza que o dinheiro jamais poderia comprar, porque ela só existe na permuta direta, na troca franca entre o coração que se dá e a experiência que se recebe. Essa é a minha moeda. E essa é a crônica do meu fracasso, que eu teimo em chamar de tesouro.

 

 A Síndrome de Peter Pan e o Clima de Curitiba

Trinta e cinco anos. É o tempo que leva para um bom vinho atingir a plenitude ou para um arrependimento sumir de vista. No meu caso, foi o tempo que levei para voltar a Curitiba e descobrir que o vinho sou eu, o arrependimento é o frio, e a cidade, bem, a cidade resolveu crescer sem me consultar.

Saí jurando de pé junto, como quem promete nunca mais comer jiló. A jura era contra o frio, aquele que te pega na esquina de maio e te solta, por engano, em janeiro. O clima de Curitiba nunca foi de se comprometer. Era um eterno indeciso, um Peter Pan meteorológico. Se o calendário dizia “verão”, a cidade respondia com um arrepio e uma garoa fina que não molhava, mas entrava na alma. E se você, coitado, se animava com o tal “veranico de maio”, esse breve suspiro de calor em pleno outono, era só para te dar a falsa esperança de que seu nariz ficaria seco.

Ah, a coriza de Curitiba! Ela era a trilha sonora oficial do meu exílio. Mal o nariz pensava em ficar clean, lá vinha ela, líquida e traiçoeira, seguida pelos malditos espirros que pareciam ter uma coordenação rítmica com a oscilação da temperatura.

Eis que volto. Primeiro de dezembro, Curitiba vestida de Natal – a tal “Cidade Sorriso” exibindo seus dentes de LED e suas bolas vermelhas. E a gente, a gente! Gente vindo, gente voltando, gente subindo, descendo, gente engolindo pão de queijo com gasosa , gente fazendo selfie com a capivara que, aposto, já tem uma conta no Instagram mais movimentada que a minha.

O que mais me chocou, além do fato de que o calor de dezembro ainda tem um quê de brisa polar, foi o trânsito. Ah, o trânsito! Nos meus tempos, reclamar do trânsito era um luxo, um passatempo de gente que tinha tempo de sobra. Hoje, é um puzzle geométrico de buzinas. Eu, na minha arrogância de ex-morador, pensei: “Quem dera fosse o trânsito de três décadas atrás! Quem dera a gente pudesse ver o asfalto entre um carro e outro!” A cidade deixou de ter aquela cara de cidade do interior que se incomodava quando a gente demorava dez minutos para atravessar a Marechal Deodoro. Ela virou metrópole, turbinada, estressada, linda e agitada. Uma lady que trocou o tricô pela jaqueta de couro.

E eu? Eu, que hoje vivo no campo, onde o máximo de agitação é a lebre que é surpreendia logo depois da curva e corre desesperada pela estrada, que troquei o cheiro de ozônio da cidade pelo cheiro de terra molhada, me vi como um namorado que reencontra a ex-namorada. Ela está mais bonita, mais bem-sucedida, mais vibrante. E eu... eu sou o mesmo, só que com mais contas e menos cabelo.

É um caso de separação consensual. Um divórcio seria dramático demais para o meu humor. Mas percebi: ainda te amo, minha Curitiba. Amo seu céu cinza que não te ilude com sol desnecessário. Amo sua elegância discreta de quem sabe que não precisa gritar para ser notada. Você é uma menina crescida, e eu sou um velho teimoso.

Você exige pressa, agito, casaco impermeável e coragem para enfrentar a vida. Eu só exijo um banco na varanda e uma cuia de chimarrão. A gente já não combina na rotina. Mas, de vez em quando, eu volto. Você me recebe, de braços abertos e com o nariz pedindo para eu me agasalhar. E o meu nariz, trinta e cinco anos depois, ainda te responde com um espirro.

 

A Biquinha e o Aceno de Dois Dedos


             

Mudar de cidade, para quem vem de uma metrópole, é como trocar um liquidificador barulhento por uma xícara de chá. O silêncio, de repente, é audível. E quando essa mudança te leva para um lugar chamado Porto Amazonas, a Capital Paranaense da Maçã, você começa a suspeitar que caiu num conto de fadas bucólico. Ou, pior, num set de filme onde todos são figurantes muito, mas muito, bem-humorados.

Eu, que achava que cortesia era só o nome de uma rua no centro, cheguei aqui e descobri que é um modo de vida.

Em Porto Amazonas, às margens do nosso rio Iguaçu — que por aqui parece ter tirado férias do estresse das quedas e está numa paz zen —, as pessoas não apenas se cumprimentam, elas se reconhecem. Não é aquele aceno protocolar de condomínio, onde você sorri e reza para que o vizinho não queira puxar conversa. É um "olá" de quem realmente está feliz por você estar vivo e andando na mesma calçada.

Mas o que me conquistou mesmo foi o aceno dos motoristas. Preste atenção, leitor: o motorista porto-amazonense (se é assim que se chama quem mora em Porto Amazonas, eu acho mais legal “amazônidas”) tem uma técnica que deveria ser patenteada como a "Etiqueta do Volante Relaxado".

Lá na cidade grande, o motorista usa a mão para buzinar, gesticular palavrões indecifráveis, ou, na melhor das hipóteses, para segurar o celular. Aqui não. Aqui, a mão esquerda, a que segura o volante em posição para manter o cruise control da tranquilidade, mal se move. São só dois dedos — o indicador e o médio, elegantemente — que levantam, fazem um ballet discreto no ar e voltam à posição. É um cumprimento minimalista. Um namastê automobilístico que diz: "Paz, irmão. E cuidado com a casca da maçã".

Toda vez que recebo esse aceno, sinto-me parte de um clube secreto de gente que não está com pressa.

E os pontos turísticos? Ah, a ironia geográfica!

Temos um Cristo no alto da colina, de onde se vê um tapete verde-e-dourado que é ora soja, ora trigo, ora aveia. É uma visão que te faz questionar o que diabos você estava fazendo na frente de uma tela de computador. Lá de cima, o maior perigo que se avista é um possível ataque de passarinho.

A Biquinha é a margem do rio, junto com o cais do porto são a essência do lugar. E a Prefeitura, essa sim é uma obra de arte do propósito. Ela foi construída em forma de barco, lembrando que a cidade era um importante porto que ligava o interior a Curitiba. O que é de uma poesia deliciosa, pois a estrutura de um barco remete à travessia, à chegada e, principalmente, ao fato de que ninguém está ali ancorado no mau humor.

Vindo da selva de pedra, onde "ar puro" é sinônimo de "ar-condicionado com filtro novo", e onde "clima agradável" depende da tomada, eu estranho essa minha nova rotina. Estranho acordar com o barulho de gralhas, sabiás e canários no Sítio do Pavão — com seus açudes, arroio e trilhas magníficas — em vez do motor de um ônibus.

Mas a verdade é que o prazer de estar aqui é proporcional à simplicidade do aceno de dois dedos. É a constatação de que, às vezes, a felicidade não é uma grande metrópole fervilhando de possibilidades, mas sim uma pequena cidade adormecida, com aroma de maçã e onde a maior correria que se vê é a dos dedos do motorista, levantando e descendo, num eterno e bem-humorado convite à calma.

 

O Guardião das Fronteiras: 

A Odisseia de Sérgio Kocinba entre o Guartelá e a Modernidade Modular

Fotos: Reprodução Digital / Acervo de Exploração

Há nomes que se confundem com a própria geografia de um estado. No Paraná, o sobrenome Kocinba carrega o peso das rochas do Cânion do Guartelá e o frescor das nascentes de Porto Amazonas. Técnico em Meio Ambiente, escritor e explorador, Kocinba não apenas observa a natureza; ele a mapeia, a protege e, acima de tudo, a entende como poucos.

O Gênese de um Parque


A história da conservação ambiental no Paraná tem um capítulo indispensável escrito nos anos 80. Naquela época, o Cânion do Guartelá era um gigante desconhecido e vulnerável. Foi Kocinba quem fundou e liderou o Grupo Pró-Guartelá, embrenhando-se em expedições técnicas de mapeamento que pareciam saídas de um romance de aventura. O resultado desse esforço não foi apenas papel e tinta, mas a criação do Parque Estadual do Guartelá, hoje um santuário de biodiversidade e um dos principais motores do ecoturismo paranaense.

O Alquimista das Palavras: A Crônica do Povo Paranaense

Se a técnica define seu trabalho, a sensibilidade define sua escrita. Como cronista, Kocinba tornou-se um mestre em decifrar os "jeitos e trejeitos" do povo paranaense. Seus textos não são meros relatos; são radiografias da alma de quem vive na "Terra dos Pinheirais".

Ele detalha com precisão cirúrgica o sotaque cadenciado, a hospitalidade reservada mas profunda do homem do campo, e a resiliência silenciosa de quem lida com a geada e o sol forte. Kocinba escreve sobre o ritual do chimarrão, a lida com a terra em Porto Amazonas e as histórias contadas ao pé do fogo, transformando o cotidiano comum em um registro histórico de grande valor literário. Suas crônicas capturam a transição entre o Paraná tradicional dos tropeiros e a modernidade tecnológica, servindo como uma ponte entre gerações.

 

Entre Tribos, Guerrilhas e o Caribe: A Inspiração de "Napê"



Se o Paraná é sua base, o mundo é seu laboratório. A trajetória de Kocinba é marcada por uma profunda imersão indigenista e internacional que moldou seu caráter e sua literatura. Para escrever seu livro "Napê", ele realizou pesquisas de campo que desafiam os limites convencionais.

Sua jornada incluiu a convivência com os Terena em Aquidauana (MS), aprendendo a resiliência agrícola desses povos. Cruzou fronteiras para viver com os Pemón na Venezuela, os Kuna no Panamá e os povos de La Guajira na Colômbia. Em Roraima, testemunhou a dureza dos garimpos e, na região de Santander, na Colômbia, realizou pesquisas em zonas de influência do grupo ELN.

Sua curiosidade o levou ainda mais longe, às ilhas do Caribe. Em Cuba, Kocinba mergulhou na resiliência de um povo que preserva a cultura e a dignidade apesar das limitações materiais. No Haiti, confrontou a força espiritual e a luta pela sobrevivência em meio a desafios históricos profundos. Na República Dominicana e outras ilhas caribenhas, estudou o sincretismo cultural vibrante e a relação intrínseca desses povos com o mar e a música. Toda essa bagagem transformou o explorador em um cronista universal, capaz de entender as nuances do comportamento humano em qualquer latitude.

 

A Nova Fronteira: Segurança e Sustentabilidade Rural



Hoje, em uma propriedade rural em Porto Amazonas, Kocinba dedica-se a uma missão tão vital quanto o mapeamento de cânions: a Segurança Hídrica. Como técnico especializado, ele trabalha na linha de frente da recuperação de nascentes, garantindo que o ciclo da vida continue a fluir para as próximas gerações.

 

Mas sua visão de futuro vai além da água. Kocinba tornou-se um entusiasta e capacitador da arquitetura modular em containers. Para ele, a moradia no campo precisa evoluir. “É possível viver com modernidade em total harmonia com o ecossistema,” defende. Ele utiliza sua experiência para incentivar e capacitar as comunidades rurais para a utilização da arquitetura modular (casa container) para demonstrar que é possível viver com modernidade em total harmonia com o ecossistema, além de estar em uma casa durável e segura contra as intempéries de um clima que está mudando e também segura contra ameaças externas.

 



 

 

 Legado e Família


      

Apesar de sua projeção como suplente de Deputado Estadual e sua voz ativa na política ambiental, Kocinba mantém os pés fincados em seus valores fundamentais. Há cinquenta anos membro dedicado de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ele vê no serviço ao próximo uma extensão de seu trabalho técnico.

Ao final do dia, toda essa vasta experiência — das selvas colombianas e ilhas caribenhas às sapatas de concreto de suas casas modulares — converge para um único lugar: a família. Ao lado de sua esposa Adjania Freire, Kocinba vê seu legado refletido em seus filhos, por ordem de idade: Amon, Lívia, Alan, Gabriel, Guilherme e Eliza. Para eles, e para o Paraná, Kocinba não é apenas um técnico ou um autor; é um homem que ensina, pelo exemplo, que proteger a terra e honrar a cultura é a única forma de garantir o futuro.